sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

‘Máquina de nuvens’: emissões da floresta amazônica e descargas elétricas produzem partículas de chuva

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Um grupo internacional de pesquisadores, com destaque para a participação de brasileiros, conseguiu pela primeira vez desvendar o mecanismo físico-químico que explica o complexo sistema de formação de chuvas na Amazônia, com influência no clima global. Envolve a produção de nanopartículas de aerossóis, descargas elétricas e reações químicas em altitudes elevadas, ocorridas entre a noite e o dia, resultando em uma espécie de “máquina” de aerossóis que vão produzir nuvens.

A pesquisa, publicada hoje (04/12) na capa da revista Nature, descreve os mecanismos de como o isopreno – um gás liberado pela vegetação por meio de seu metabolismo – é transportado até a camada da atmosfera acima da superfície terrestre próxima da tropopausa durante tempestades noturnas. Uma série de reações químicas desencadeadas com a radiação solar dá origem a uma grande quantidade de aerossóis que formam as nuvens. Esta produção de partícula é acelerada por reações com óxidos de nitrogênio produzidos por descargas elétricas na alta atmosfera, em nuvens dominadas por cristais de gelo.

Até então, os cientistas já haviam identificado as partículas em outra expedição, mas não o mecanismo físico-químico completo. Acreditava-se que o isopreno não chegaria às camadas superiores da atmosfera porque reagiria ao longo do caminho, pois é bastante reativo, e se degradaria rapidamente com a luz solar. Com a descoberta desses novos mecanismos, será possível aprimorar modelos do sistema terrestre, ferramentas fundamentais para simular o clima e compreender o funcionamento presente e futuro do planeta.

Para chegar ao resultado, o grupo usou o material obtido durante o experimento científico CAFE-Brazil, sigla em inglês para Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil. Único desse tipo, o experimento realizou diversos voos sobre a bacia amazônica entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, a 14 quilômetros (km) de altitude, o que corresponde a duas vezes a altura do Aconcágua, ponto mais alto da América do Sul. Totalizou 136 horas de voo, cobrindo 89 mil km – mais do que duas voltas completas na Terra pelo Equador.


Aeronave de pesquisa do projeto CAFE-Brazil logo após a decolagem (foto: Dirk Dienhart/Instituto de Química Max Planck)

“Um dos destaques desse trabalho é ver como a Amazônia tem uma simbiose de complexos mecanismos e importantes fenômenos que agem dentro de um sensível equilíbrio do ecossistema. A preservação desse equilíbrio permite manter as condições do clima como conhecemos atualmente. Alterações como as provocadas pelas mudanças climáticas ou pelo desflorestamento podem gerar efeitos inesperados e não estudados ainda”, explica à Agência FAPESP um dos autores brasileiros da pesquisa, o professor Luiz Augusto Toledo Machado.

Pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck, na Alemanha, Machado diz que o resultado abre um horizonte amplo para analisar o impacto do aquecimento global no clima, no meio ambiente e no ecossistema.

Para Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) da USP, professor do IF-USP e coautor do artigo, os resultados permitem realizar modelagens com mais confiabilidade, podendo incluir mecanismos do ponto de vista físico-químico e biológico.

“As emissões de isopreno dependem da floresta em pé. Elas não ocorrem se a vegetação nativa for substituída por pastagem ou cultura de soja. Com o desmatamento, esse mecanismo de produção de partículas é destruído, reduzindo a formação de nuvens e de precipitação. É o que chamamos de realimentação negativa no sistema climático total, pois o desmatamento traz redução de precipitação de maneira significativa por diminuir a evapotranspiração e a produção de partículas, que dependem das emissões de isopreno”, afirma Artaxo.

Levantamento divulgado pelo MapBiomas em outubro, com base em imagens de satélites, mostrou que pastagem foi a principal finalidade do desmatamento da Amazônia entre 1985 e 2023. No período, o crescimento dessa área foi de mais de 363%, passando de cerca de 12,7 milhões para 59 milhões de hectares. Com isso, 14% da Amazônia tinha virado área de pastagem em 2023.

O mecanismo

A floresta exala aromas muito característicos. São gases conhecidos como compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês), entre eles o terpeno – grupo de substâncias encontradas em resinas de árvores e óleos essenciais – e o isopreno. Estima-se que as florestas em todo o mundo liberem mais de 500 milhões de toneladas de isopreno na atmosfera anualmente, sendo que um quarto dessa emissão vem da Amazônia.

Na floresta amazônica, o isopreno é emitido durante o dia, pois depende da luz do sol. Acreditava-se que o gás não alcançava as camadas mais altas da atmosfera porque seria destruído em poucas horas por radicais hidroxila, altamente reativos. “Agora, estabelecemos que isso é parcialmente verdade. Ainda há quantidade considerável de isopreno à noite. Uma parte significativa dessas moléculas pode ser transportada para camadas mais altas da atmosfera”, afirma em nota o autor correspondente do artigo, Joachim Curtius, professor da Universidade Goethe de Frankfurt (Alemanha).

Durante a noite, tempestades tropicais sobre a floresta ajudam a transportar gases, como o isopreno, para camadas mais altas por meio de convecção intensa. Semelhante a um aspirador, esse processo é impulsionado por correntes de ar ascendentes, especialmente em regiões com alta umidade e calor acumulado. Os gases se combinam com compostos de nitrogênio provenientes dos relâmpagos na alta atmosfera.

Nas áreas mais altas, entre 8 e 15 km de altitude, as temperaturas chegam a 60°C negativos. Cerca de duas horas após o sol nascer, os radicais hidroxila que se formam também nessas altitudes reagem com o isopreno, dando origem a nitratos orgânicos, compostos diferentes dos encontrados próximos ao solo. Produzem, assim, altas concentrações de nanopartículas de aerossóis, com mais de 50 mil delas por centímetro cúbico.

Essas partículas crescem ao longo do tempo e são transportadas por longas distâncias, podendo atuar como núcleos de condensação de nuvens. Influenciam o ciclo hidrológico global, o balanço de radiação e o clima. Os mecanismos de formação desses compostos nitrogenados orgânicos agora serão incorporados nos modelos climáticos, melhorando a previsão de chuvas, especialmente em regiões tropicais.

A FAPESP apoia o estudo por meio de um Projeto Temático vinculado ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e liderado por Machado e outro por Artaxo, além de outros quatro projetos (23-04358-9, 21/03547-7, 22/01780-9 e 22/13257-9).

Além dessa pesquisa, a Nature traz na mesma edição outro estudo desenvolvido por parte da equipe de pesquisadores que trata da nova formação de partículas a partir do isopreno na troposfera superior. Eles reproduzem em câmaras experimentais as condições presentes nessas altitudes, analisando em detalhe as reações desencadeadas pela luz solar.

A expedição

Vários voos de pesquisa realizados no experimento CAFE-Brazil contribuíram para a geração de perfis de altitude para diferentes gases. Foi possível medir massas de ar transportadas para a troposfera superior e as diferenças entre as situações diurnas e noturnas.

O professor Machado, que participou da coleta de informações na Amazônia, conta que os voos chegavam a ter duração de até 12 horas. “Virávamos a noite. Percebemos que as partículas se formavam de manhã. Por isso, saíamos de madrugada. As equipes iam para o aeroporto para voar, enquanto eu e outros pesquisadores ficávamos na sala de operações acompanhando e dando diretrizes das previsões e de onde estavam as chuvas. Eu também fazia voos que entravam nas nuvens para medir isopreno. Era bem emocionante”, relata.


Machado, à esquerda, durante um dos voos (foto: acervo pessoal)

A base de trabalho foi montada em Manaus (AM). Os voos eram realizados com o avião HALO (sigla em inglês para High Altitude and LOng range research aircraft), uma aeronave de pesquisa para longas distâncias (mais de 8 mil km), altas altitudes (até 15,5 km) e grandes cargas (até 3 toneladas). O experimento contou com a parceria entre a Universidade Goethe de Frankfurt, o Instituto Max Planck de Química (Alemanha), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – que foi responsável pela licença da expedição científica coordenada pelo pesquisador Dirceu Herdies, também autor do artigo –, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a USP.


Equipe do CAFE-Brazil, sediada em Manaus (foto: divulgação)

Recentemente, outro estudo liderado por Machado foi publicado na revista Nature Geoscience mostrando que a floresta é capaz de produzir sozinha aerossóis que, induzidos pela própria chuva, desencadeiam um processo de novas formações de nuvens e precipitação (leia mais em: agencia.fapesp.br/53265).

Os artigos Isoprene nitrates drive new particle formation in Amazon’s upper troposphere e New particle formation from isoprene in the upper troposphere podem ser lidos, respectivamente, em: www.nature.com/articles/s41586-024-08192-4 e www.nature.com/articles/s41586-024-08196-0.
 

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Qual é o impacto ambiental dos pneus descartados de forma irregular?

 




Por Stela Kos Director Latin America Mobility da TÜV Rheinland


A compra de pneus certificados com o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) garante que os produtos atendem aos requisitos mínimos de segurança e qualidade para proteger os consumidores. Em maio último, o Inmetro, por meio dos órgãos delegados, e em parceria com a Receita Federal, realizou uma força tarefa em cumprimento do Plano Nacional de Vigilância de Mercado e apreendeu 730 pneus importados irregularmente para o Brasil. 


A operação combateu a entrada de produtos que não estavam em conformidade com as normas brasileiras e abrangeu 18 estados. Os agentes públicos vistoriaram mais de 74 mil itens em estabelecimentos comerciais e portos alfandegários. Durante a ação foi verificado se os produtos atendiam aos requisitos de marcação e informações obrigatórias, conforme a Portaria Nº 379, de 14 de setembro de 2021, que aprova o regulamento para pneus novos.


Além da falta de segurança para o consumidor, os pneus importados de maneira ilegal geram um problema ambiental. O descarte de pneus inservíveis no Brasil deve seguir a Instrução Normativa IBAMA nº 1, de 18 de março de 2010, que determina os procedimentos necessários para o cumprimento da Resolução CONAMA nº 416, de 30 de setembro de 2009, que estabelece os critérios para o gerenciamento ambientalmente adequado de pneus inservíveis e cria o PGP, Plano de Gerenciamento de Coleta, Armazenamento e destinação de Pneus inservíveis. 


O PGP é um documento obrigatório para fabricantes e importadores de pneus novos e seu objetivo é garantir a destinação ambientalmente adequada dos pneus inservíveis, reduzindo os impactos ambientais causados pelo descarte incorreto desses resíduos. O Plano deve conter informações como a quantidade de pneus comercializados ou utilizados, a forma de armazenamento dos produtos inservíveis, o transporte até o destino, a identificação dos pontos de coleta e reciclagem e a destinação final dos resíduos. Essa medida visa garantir transparência e rastreabilidade, permitindo que os órgãos ambientais verifiquem se fabricantes e importadores estão cumprindo suas responsabilidades.


Reciclagem e destinação correta de resíduos

Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), em 2022, os fabricantes nacionais cumpriram 99,98% da meta de destinação de resíduos e os importadores 91,50%, dessa forma mais de 20 mil toneladas de pneus importados não tiveram a destinação correta. 


O elevado volume de produtos nacionais descartados de forma adequada deve-se ao Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis criado em 1999 pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP). Em 2007, as fabricantes nacionais criaram a Reciclanip, entidade voltada exclusivamente para a realização deste trabalho, que conta com mais de mil pontos de coleta no país. Apesar de ter sido criado por empresas com fábricas no Brasil, as importadoras podem participar da entidade para fazer a destinação correta de resíduos, mesmo que sua associação não seja permitida.

 

Os pneus, após cumprirem o seu ciclo de vida, tornam-se um grande desafio ambiental, pois são compostos por borracha, aço, poliéster e nylon, produtos que podem levar centenas de anos para se decompor completamente no ambiente. Além disso, quando descartados incorretamente, o produto pode se tornar foco para o acúmulo de água, o que favorece a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, como o Aedes aegypti.


As tecnologias de destinação ambientalmente adequadas são:

  • Coprocessamento, que usa os pneus inservíveis em fornos de clínquer (material básico necessário para a fabricação de cimento) como substituto parcial de combustíveis e fonte de elementos metálicos;


  • Laminação, atividade em que os pneus inservíveis são cortados em lâminas e usados para a fabricação de artefatos de borracha;


  • Granulação, processo industrial de fabricação de borracha moída, em diferente granulometria, com separação e aproveitamento do aço;


  • Pirólise, decomposição térmica da borracha conduzido na ausência de oxigênio ou em condições em que a concentração de oxigênio é suficientemente baixa para não causar combustão, com geração de óleos, aço e negro de fumo.


Quando reciclados da forma correta, os pneus podem ser transformados em produtos como solados de sapatos, pisos para parques infantis, serem aplicados em campos de grama sintética e na fabricação de asfalto borracha. 


Embora existam normas que estabeleçam a obrigação de fabricantes e importadoras, a eficácia do sistema depende de um processo rigoroso de monitoramento. A aplicação prática da reciclagem também enfrenta desafios como a falta de infraestrutura em algumas regiões do país. Segundo dados do Ibama, em 2022, por exemplo, não ouve a declaração de descarte de pneus inservíveis na Região Norte. 


Ações como a realizada pelo Inmetro são importantes, pois o comércio de produtos importados de forma ilegal gera insegurança e lesa o consumidor, prejudica a indústria nacional e os importadores que trabalham conforme a lei, além de impactar o meio ambiente, pois mesmo com a regulamentação em vigor, um produto sem um responsável legal no país tem muito mais chances de não ser descartado da forma adequada. Nesse contexto, o processo de certificação é peça importante seja na certificação do produto quanto na de sistemas de gestão ambiental. 

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Um livro de poesia feito inteiramente de plástico reciclado


Nova obra de Pedro Tancini explora o tema do plástico para buscar o amor, o futuro e a literatura entre a violência do capitalismo

Poemas de Plástico, novo livro de poesia de Pedro Tancini, vai além da abstração e se torna a primeira obra de literatura do mundo produzida inteiramente com plástico reciclado e reciclável. As páginas são impressas em um papel sintético com as mesmas propriedades do papel de celulose, feito principalmente de tampinhas de garrafa PET coletadas por catadores. Já as capas de cada exemplar são personalizadas pelo próprio autor, com colagem de pedaços de plástico que ele retirou das praias do estado de São Paulo.

O projeto se baseia na contradição do plástico no mundo contemporâneo: ao mesmo tempo que é um material tão descartável, leva mais de quatrocentos anos para se decompor na natureza. É esse paradoxo que conecta os poemas, sejam os que denunciam a descartabilidade de tudo, inclusive do amor, na sociedade capitalista, sejam os que procuram um futuro diferente do fim para o qual o mundo está se encaminhando.

Como evitar as cada vez mais intensas e frequentes catástrofes ambientais se até as corporações que se posicionam como "amigas” do meio ambiente estão devastando o planeta? Como a vida psíquica e emocional é afetada pelo império do desperdício? Qual o poder da poesia dentro do sistema capitalista? Essas e outras questões são propostas pelo escritor entre poesias repletas de metalinguagem e ironia.

é nossa a culpa?
os castelos
que erguemos
para os inúteis reis
desta terra
e talvez seja a ilha
(de plástico)
nosso refúgio
mais doentio
nossa revolta
mais possível
nossa mais duradoura
destruição
(Poemas de Plástico, p. 41)

Em meio a versos que desbravam as margens da folha e desafiam as estruturas padrões de um trabalho poético, o livro em si é a tentativa de se fazer durar em uma realidade onde tudo parece inútil. A grande ironia é que, para fazer isso, Pedro Tancini utiliza o plástico, material que é produzido e descartado de forma irrestrita.

“Fiz questão de que o livro fosse produzido com plástico reciclado e reciclável para que o seu impacto ambiental se aproximasse do zero. Porém, a proposta da obra é alertar que, infelizmente, a saída não está no âmbito individual, pois o verdadeiro responsável pelas catástrofes ambientais e sociais que estamos vivendo é o sistema em si. O livro é uma tentativa de sobreviver psiquicamente e emocionalmente nesse mundo que nos violenta diariamente e, mais do que isso, vislumbrar caminhos possíveis de superação do capitalismo também por meio da poesia”, comenta o autor.

Poemas de Plástico tem o apoio do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas.

FICHA TÉCNICA

Título: Poemas de Plástico
Autor: Pedro Tancini
ISBN: 978-65-01-12872-6
Páginas: 64
Preço: R$ 50
Onde comprar: Amazon

Sobre o autor: Pedro Tancini é poeta,  dramaturgo, ator, diretor, produtor e fundador do Coletivo Parêntesis de Teatro. É graduado em Comunicação Social pela ESPM, mestre em Comunicação e Práticas de Consumo também pela ESPM e pesquisa sobre os impactos do capitalismo contemporâneo nas sociedades do século XXI. Como autor, escreveu oito peças de teatro, publicou o livro de contos “Nove Autores – Nova Histórias” e a edição “Erramos” da revista literária “Moreia” junto de outros escritores. Teve, ainda, poemas, dramaturgias e crônicas selecionados por diversos editais e premiações. Em 2024, lançou os livros “Teatro à Venda”, “Professores Online” e Poemas de Plástico.

Redes sociais do autor:

Instagram: @pedrotancini e @coletivoparentesis



segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Nova lei para diesel verde vai permitir novas demandas a partir de 2025!

 


Nova lei de combustíveis sustentáveis abre portas para o diesel verde 


O Governo Federal sancionou a Lei 14.993, de 2024, para incentivar tanto a produção quanto o uso de combustíveis sustentáveis no Brasil. Com a nova lei, o mercado abre mais espaço para a produção dos chamados "combustíveis do futuro".


Para Vitor Dalcin, diretor da Ambiental Santos, a nova legislação, que altera os percentuais de mistura de etanol na gasolina, é um avanço tanto para o mercado de combustíveis quanto para as cadeias de sustentabilidade:


“Há um mínimo de 22% de biocombustível na mistura, que pode chegar até 35%. Na prática, a presença deste componente neutraliza a pegada de carbono e reduz a emissão de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. Os biocombustíveis são renováveis, e sua própria criação já demonstra isso, pois tudo é produzido com recursos reaproveitados, como resíduos da produção de cana-de-açúcar e óleo vegetal usado”.


Novidade abre mercado para diesel verde no Brasil

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou que 18% do combustível utilizado no Brasil é biocombustível. Com a nova lei, Vitor vislumbra uma maior oferta desses combustíveis nos postos, especialmente com a possibilidade de produção do diesel verde.


A razão está no Programa Nacional do Diesel Verde (PNDV), do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que vai estabelecer a quantidade mínima de diesel verde a ser adicionada ao diesel vendido ao consumidor final todos os anos:


“O diesel verde ainda não é produzido no Brasil, mas essa alternativa, que nasce basicamente a partir de óleos vegetais e gorduras animais, pode ser o ponto de virada para o reaproveitamento de óleo usado. A primeira biorrefinaria está sendo construída em Manaus, com previsão para iniciar a produção já em 2025”.


Como será a chegada do diesel verde?

Haverá regras bem definidas: todos os anos será estabelecido o volume mínimo de diesel verde na mistura, levando em consideração fatores como oferta, disponibilidade de matéria-prima, capacidade de produção e localização para distribuição.


“Isso será ótimo para incentivar tanto a produção quanto a reciclagem de óleo usado em todo o Brasil. Assim que a primeira fábrica estiver operando, outras serão criadas seguindo esse padrão. É mais um mercado que se abre para a reciclagem de óleo vegetal usado, que é altamente poluente” conclui Dalcin.

domingo, 10 de novembro de 2024

Espetáculo 'Água à Vista' leva conscientização ambiental a São Bernardo do Campo (SP)



 No último dia 8 de outubro, a peça "Água à Vista", encenada pela Companhia de Teatro Parafernália, impactou mais de 250 pessoas, incluindo crianças, adolescentes, professores e colaboradores da comunidade do Cafezal, na região do Montanhão, em São Bernardo do Campo (SP). O espetáculo, patrocinado pela Volkswagen Caminhões e Ônibus por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, teve como objetivo promover a conscientização sobre a importância da preservação da água e questões ambientais.


“Acreditamos que a arte tem o poder de transformar e inspirar ações. Ao apoiar um projeto como a Companhia de Teatro Parafernália, temos a possibilidade de promover a cultura e levar temas importantes às escolas. Desta forma, além de reforçar nosso compromisso com a comunidade, estamos oferecendo aos alunos a oportunidade de aprender sobre a importância da preservação ambiental de forma divertida e engajadora e plantando sementes que poderão transformar o mundo”, comenta Marco Saltini, vice-presidente de Relações Institucionais da Volkswagen Caminhões e Ônibus.


O espetáculo foi realizado na Associação Padre Leo Commissari por indicação da Fundação Grupo Volkswagen, responsável pela gestão dos incentivos fiscais das unidades de negócio do Grupo VW. A Fundação mantém parceria com a instituição para desenvolver diversas ações sociais voltadas à comunidade.


“Trazer a peça ao Montanhão faz parte da estratégia da Fundação, que tem o território como uma área prioritária de atuação. Foi uma oportunidade de democratizar o acesso à cultura, com foco especial nas crianças e jovens da comunidade do Cafezal, moradores da região", destacou Vitor Hugo Neia, diretor-geral da Fundação Grupo Volkswagen.


Conscientização em prol do meio ambiente

A peça apresenta a história de dois cientistas e um aventureiro em busca de soluções para a crise hídrica em um futuro distópico. O espetáculo envolveu o público de forma interativa, convidando espectadores a contribuírem para o desenrolar da trama, proporcionando uma experiência imersiva e enriquecedora.


Andreia Nunes, coordenadora da Companhia de Teatro Parafernália, comentou sobre a importância do apoio da empresa no projeto. "Acreditando na importância da educação e da conscientização ambiental, a Volkswagen Caminhões e Ônibus somou forças com a gente neste importante projeto de conscientização ambiental", disse.


“Foi emocionante ver a interação dos alunos e como a peça despertou a curiosidade e a reflexão sobre a preservação do nosso recurso mais precioso. Agradecemos à Volkswagen Caminhões e Ônibus pelo apoio, que tornou possível levar essa mensagem a mais pessoas. Acreditamos que o teatro é uma ferramenta poderosa para gerar mudanças e formar cidadãos conscientes”, finalizou.


O espetáculo "Água à Vista" está alinhado a oito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco na educação ambiental das novas gerações. Além da apresentação teatral, os participantes receberam cartilhas sobre preservação ambiental, reforçando as mensagens do espetáculo e incentivando ações práticas em prol do meio ambiente.


Sobre a Companhia de Teatro Parafernália

Com mais de 30 anos de trajetória, a Companhia de Teatro Parafernália é conhecida por suas produções que combinam entretenimento e reflexão sobre questões sociais e ambientais. A companhia realiza apresentações teatrais gratuitas em todo o Brasil, utilizando a arte como uma ferramenta de transformação.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Lixo eletrônico: o desperdício silencioso

 Lixo eletrônico: o desperdício silencioso

*Marcelo Souza

Presentes na maioria dos lares e empresas, os equipamentos eletroeletrônicos incluem desde utensílios básicos de cozinha até dispositivos de tecnologias de informação e comunicação, tais como telefones celulares e laptops. Cada produto tem um perfil de vida útil específico, o que significa que possuem diferentes quantidades de resíduos, valores econômicos e potenciais impactos na saúde e no meio ambiente, se reciclados de maneira inadequada. Quando o tempo de vida desse produto termina, ele se torna um resíduo eletroeletrônico (REEE).

Desde 2010 os REEEs aumentaram significativamente: isso se deve principalmente ao fato de que mais pessoas estão tendo acesso a celulares e internet. Por exemplo, o mundo conta com mais de 7,7 bilhões de assinaturas de telefone celular e, no Brasil, 83% dos indivíduos com dez anos ou mais possui telefone celular (NIC.br, 2019). Pode-se dizer que cada morador teve em média 3 aparelhos celulares nos últimos 10 anos, o que equivale a uma vida útil de mais ou menos 3 anos por aparelho.

A rápida obsolescência de dispositivos eletrônicos somado à constante evolução da tecnologia tem dado mais espaço para o descarte inadequado desses aparelhos, representando uma ameaça significativa ao meio ambiente e para a saúde humana. Os dispositivos eletrônicos contêm uma variedade de materiais tóxicos, como mercúrio, chumbo, cádmio e substâncias químicas perigosas. Quando esses produtos químicos entram em contato com o solo e a água, podem poluir o ambiente e prejudicar a fauna e flora local.

O que acontece é que muitos países desenvolvidos enviam seu lixo eletrônico para nações em desenvolvimento, onde é frequentemente processado e manuseado de maneira inadequada, causando danos ambientais e à saúde das pessoas envolvidas nesse processo. Além disso, os dispositivos eletrônicos contêm recursos preciosos, como ouro, prata e cobre, e quando esses aparelhos são descartados em aterros sanitários, esses recursos valiosos são perdidos.

Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT) com dados de 2022, 97% dos REEE da América Latina não são descartados de forma sustentável, o que soma um valor perdido equivalente a US$ 1,7 bilhão por ano (pelo potencial de recuperação dos materiais preciosos que os compõem). Ainda, de acordo com dados do relatório sobre eletrônicos circulares apresentado no Fórum Econômico Mundial de Davos, de 2019, o lixo eletrônico a nível global tem um valor de pelo menos US$ 62,5 bilhões, o que corresponde ao Produto Interno Bruto (PIB) anual do Quênia.

Existem soluções sustentáveis para lidar com o lixo eletrônico. Isso inclui a reciclagem adequada de eletrônicos, a reutilização de componentes e a doação de dispositivos ainda funcionais para organizações que podem fornecê-los a comunidades carentes. Além disso, muitas empresas agora estão adotando programas de reciclagem e recondicionamento de dispositivos para reduzir o impacto ambiental.

Na minha experiência como empreendedor nesta área, com a reciclagem correta é possível recuperar cerca de 60% de metais preciosos (outro, prata, cobre); 15% de plásticos (que tem uma taxa de reciclagem bem abaixo da de metais devido a complexidade das misturas dos materiais); e 50% de vidro. Posto isso, vemos a importância da presença de empresas focadas no ecossistema de reciclagem e remanufatura de REEE. Desta forma é possível gerar valor a partir de algo que muitos veem apenas como lixo e ainda criar empregos formalizados e com condições justas de trabalhos, além de prevenir a exposição humana a toxicidade de alguns materiais presentes nos dispositivos eletrônicos.



 

*Marcelo Souza é especialista em economia circular, professor universitário e autor da antologia Reciclagem de A a Z. Também é presidente do Instituto Nacional de Economia Circular, CEO da Indústria Fox – Economia Circular



terça-feira, 10 de setembro de 2024

Setcesp divulga finalistas do 10º Prêmio de Sustentabilidade

 A premiação celebra uma década com as melhores práticas ESG e segurança viária do Transporte Rodoviário de Cargas




O Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região) anunciou nesta terça-feira, 10, os finalistas do 10º Prêmio de Sustentabilidade, que é dividido em quatro categorias: Governança, Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Social e Responsabilidade na Segurança Viária ou do Trabalho. Os vencedores serão conhecidos no dia 10 de outubro.




O evento de premiação que completa uma década neste ano, foi lançado em 2015 com a intenção de reconhecer e destacar as empresas de transporte que estão criando projetos de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e por meio deles, reduzem os impactos ambientais, geram desenvolvimento social e econômico e que prezam pela segurança viária e do trabalho de seus colaboradores e de toda a sociedade.




Desde o início do prêmio, mais de 383 projetos já foram inscritos, com 229 empresas participantes. Ao todo, as iniciativas resultaram em 2.179.985m³ de água economizada, 971.959 árvores plantadas, 435.991 toneladas de materiais reciclados, 430.915 horas de treinamentos para os profissionais do TRC, além de ações que beneficiaram 47.119.482 pessoas.




“A premiação tornou-se um catalisador de mudanças positivas, disseminando conhecimento, inspirando ações inovadoras e fomentando a adoção de práticas mais sustentáveis em toda cadeia logística”, conta o presidente do Conselho Superior e de Administração do Setcesp, Adriano Depentor.




A transmissão da cerimônia de premiação acontecerá no dia 10 de outubro, às 16h, pelo Youtube. Para acessar a live do evento, Clique Aqui.


https://youtu.be/GNjY0e7q3uM





Confira abaixo os projetos e empresas finalistas do 10º Prêmio de Sustentabilidade do Setcesp nas diferentes categorias.


Responsabilidade Ambiental:

Ativa Logística - O projeto “Base de Valorização Sustentável” promove a economia circular, redução de custos e minimiza os impactos ambientais por meio da reutilização de pallets. Mais de 360 mil pallets foram reutilizados pelo projeto, o que significa que cerca de 89 mil árvores foram poupadas. Ao todo, o ‘Base de Valorização Sustentável’ gerou uma economia de aproximadamente R$9 milhões de 2018 a 2023 para a companhia.


PizzattoLog -

O projeto "Baú Sustentável" tem como propósito promover a sustentabilidade no setor de transporte de cargas por meio da fabricação de baús com materiais recicláveis e fontes renováveis. O principal impacto é a redução significativa de resíduos sólidos e a diminuição da dependência de recursos naturais, com destaque para a substituição do alumínio, material altamente intensivo em energia, por chapas recicladas. Até o momento, já foram recicladas mais de 1 tonelada de materiais, com a meta de alcançar 8 toneladas até 2030. O projeto também conta com a participação de uma motorista mulher e tem contribuído para a redução de aproximadamente 7 toneladas de emissões de CO₂ por ano, fortalecendo uma economia mais circular e sustentável no setor.


Social:

Grupo SADA - O projeto “Faça Bonito”, iniciativa Programa na Mão Certa da ChildHood, busca conscientizar e mobilizar colaboradores, parceiros e comunidades sobre o combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Através dessa iniciativa, foram realizadas diversas ações, como caminhadas, parcerias com centros de referência de assistência social (CRAs) e com postos de combustíveis. Ao todo, mais de 7.500 colaboradores foram sensibilizados, e mais de 50 mil pessoas foram impactadas em todo o Brasil. 


TransJordano - O projeto “Social em Movimento” busca impactar os colaboradores e a comunidade. Com ações de saúde e bem-estar, primeiro a empresa viabilizou a vacinação de mais de 2 mil crianças, ao identificar áreas com baixa cobertura vacinal, em parceria com a Secretaria de Saúde da região, e realizar a ação de multivacinação nas localidades mais carentes. Além disso, fez um trabalho com foco na meditação ‘Mindfulness’ (Atenção Plena) que busca melhorar a saúde física e mental de seus profissionais, resultando em uma redução de mais de 80% em acidentes e multas. Mais de 200 colaboradores foram beneficiados. 


Governança:

Expresso Mirassol - O “Líderes do Futuro” é direcionado a colaboradores que desejam crescer profissionalmente, e visa formar novos líderes para promover o crescimento sustentável da empresa. Com mentorias e treinamentos on-line individualizados, foi oferecido um programa completo de aprendizado, abrangendo desde conhecimentos técnicos até habilidades comportamentais. O projeto já gerou uma economia de R$200 mil à empresa, principalmente devido à redução do turnover.


Patrus -  Com o projeto “Governança com Perenidade" e o foco no fortalecimento da governança corporativa, ética e integridade, a empresa implementou ações estratégicas como mapeamento de cultura, comitês de ética e gestão, certificações e revisão da matriz de materialidade. Esses esforços resultaram em maior clareza e objetividade na definição de estratégias e metas, promovendo um ambiente de trabalho mais justo e ético.


Segurança Viária:

CESLOG - O projeto “Acidente Zero: Manutenção de Equipamentos e Vidas”, buscou garantir a saúde e segurança dos colaboradores, prevenindo e reduzindo o número de acidentes de trabalho. Para isso, visitas em fornecedores, melhorias tecnológicas, interação com a operação e investimentos em equipamentos foram realizadas. A empresa alcançou zero acidentes internos em 2023, além de passar por uma transformação no ambiente de trabalho e maior aderência e engajamento das equipes operacionais nos programas de saúde e segurança.


JNR Transporte - Visando zerar acidentes com óbito e reduzir significativamente os custos com sinistros e multas, o projeto “BUDDY” utiliza inteligência artificial para aumentar a segurança nas operações da empresa, por meio da análise de imagens de câmeras instaladas nos veículos. Com a ação, a empresa teve R$560 mil em economia de multas de maio de 2023 a maio de 2024 e apresentou uma redução de R$884 mil em custos.


A 10ª edição do Prêmio de Sustentabilidade SETCESP conta com o patrocínio de Mercedes-Benz Brasil, De Nigris e Transpocred.