terça-feira, 7 de abril de 2020

Organizações de proteção animal pedem à OMS o fim do comércio de animais silvestres



Mais de 200 organizações de todo o mundo emitiram uma carta para a Organização Mundial da Saúde (OMS) pedindo a proibição permanente do comércio de animais silvestres

São Paulo, 07 de abril de 2020 - Mais de 200 organizações de todo o mundo se juntaram para pedir o banimento do comércio de animais silvestres e o fim do uso dessas espécies pela medicina tradicional. Em carta enviada hoje, 07 de abril, dia mundial da saúde, à Organização Mundial da Saúde (OMS), os signatários, incluindo a Proteção Animal Mundial, organização global que trabalha em prol do bem-estar animal, destacaram as suspeitas que relacionam o surgimento da COVID-19 com o mercado de vida silvestre na China e apelaram para que a OMS tome as medidas cabíveis para cumprir a sua missão de servir a saúde pública em todos os momentos, recomendando que os governos proíbam permanentemente o comércio da vida silvestre para qualquer fim.
Para as organizações, a proibição do comércio de animais silvestres ajudaria a proteger a vida humana de futuras pandemias como o novo coronavírus, uma vez que, 60% das doenças infecciosas emergentes são de origem animal e, acredita-se que 70% delas provêm de animais selvagens.
A carta afirma que, embora seja necessária uma resposta global na detecção, tratamento e redução da transmissão do COVID-19, é igualmente necessário tomar medidas para evitar futuras infecções semelhantes, que afetem o bem-estar social e econômico do mundo. "É urgentemente necessário proibir o comércio de vida silvestre em todo o mundo. Além de evitar condições não regulamentadas e não higiênicas para os animais, o banimento evitaria a proximidade entre humanos e essas espécies exploradas, que gera a oportunidade perfeita para a propagação de patógenos", afirma a diretora-executiva da Proteção Animal Mundial, Helena Pavese.
Segundo as organizações, o risco da contaminação dos seres humanos por vírus provenientes dos animais silvestres é ainda mais agravado pelas condições cruéis nas quais os animais são criados ou capturados na natureza, transportados e mantidos em mercados. A aglomeração de diferentes espécies sendo mantidas em conjunto causa imenso estresse, enfraquecendo o sistema imunológico e as deixando mais suscetível a doenças.
"A OMS pode ajudar a prevenir futuras pandemias, pedindo que os governos excluam o uso da vida selvagem como matéria-prima para fórmulas de remédios da medicina tradicional e banindo, por completo, o comércio de animais silvestres. Essas ações podem salvar milhões de vidas no futuro e proteger milhões de animais silvestres que são desnecessariamente e cruelmente cultivados ou caçados da natureza para abastecer essa indústria", finaliza Helena.
As mais de 200 organizações pedem à OMS que:
- Recomende aos governos de todo o mundo que instituam uma proibição permanente dos mercados de vida silvestres, estabelecendo um vínculo entre esta prática e suas ameaças comprovadas à saúde humana;
- Recomende aos governos que lidem com os riscos potenciais à saúde humana do comércio de animais silvestres - incluindo coleta da natureza, pecuária, agricultura, transporte e comércio através de mercados físicos ou online para qualquer finalidade - e ajam para fechar ou limitar tais comércio, a fim de mitigar esses riscos;
- Exclua o uso de animais selvagens, inclusive de espécimes criados em cativeiro, na definição e endosso da Medicina Tradicional da OMS e revise a Estratégia de Medicina Tradicional 2014-2023 da OMS de acordo para refletir essa mudança;
- Ajude os governos e lidere uma resposta coordenada entre a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e outras organizações multilaterais em todo o mundo em atividades de conscientização para informar claramente os riscos do comércio de vida silvestre para a saúde pública, coesão social, estabilidade econômica, lei e ordem e saúde individual;
- Apoie e incentive iniciativas que forneçam fontes alternativas de proteína aos consumidores de animais selvagens de subsistência, a fim de reduzir ainda mais o risco para a saúde humana.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Indústria discute a importância do pós-uso de todos os materiais que produz durante Seminário de Logística Reversa

 

 

 

13/11/2019

Indústria discute a importância do pós-uso de todos os materiais que produz durante Seminário de Logística Reversa

Evento marcou o lançamento da Rota Estratégica de Economia Circular, que oferece uma estratégia sustentável para o reaproveitamento de resíduos

Crédito: Divulgação/Fiep

Industriais de todo o Paraná participaram nesta terça-feira (12 de novembro), no Campus da Indústria, em Curitiba, no 3º Seminário Paranaense de Logística Reversa. O evento, promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em parceria com o Instituto Paranaense de Reciclagem (Inpar), reuniu especialistas no tema e entidades que estão promovendo ações voltadas à preservação do meio ambiente por meio da logística reversa.

"Os industriais devem ter um olhar atento sobre tudo o que produz e sobre o pós-uso de seus produtos. Cabe a nós, como industriais, vermos toda a cadeia, incluindo nossos distribuidores, vendedores e consumidores atentando para tudo o que vai voltar após o uso", disse o presidente da Fiep, Carlos Valter Martins Pedro, na abertura do evento.  "Mas a responsabilidade é de todos: governo, indústria, comerciante e o público consumidor", acrescentou.

O presidente do Inpar, Rommel Barion, explicou que a execução de ações de logística reversa traz benefícios econômicos e ambientais que impactam toda a sociedade. "A logística reversa busca reaproveitar materiais e resíduos por meio de um processo produtivo que tem a capacidade de oferecer maior eficiência operacional, redução de custos e a oportunidade de gerar novos negócios. Isso sem falar nos benefícios ao meio ambiente", explicou.

O presidente do Instituto das Águas, José Luiz Scroccaro, que representou o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Marcio Nunes, lembrou que o Paraná foi um dos primeiros estados brasileiros a iniciar a Logística Reversa e que tem exemplos significativos com o recolhimento de embalagens de agrotóxicos e de pneus.  

Economia circular – O 3º Seminário Paranaense de Logística Reversa marcou o lançamento da Rota Estratégica da Economia Circular no Paraná, um estudo desenvolvimento pelo Observatório Sistema Fiep que orienta as indústrias sobre o tema. "Economia Circular é uma estratégia sustentável que tem como propósito manter produtos, componentes e materiais no seu mais alto nível de utilidade e valor pelo maior tempo possível dentro dos processos produtivos", explicou Marília de Souza, gerente do Observatório. De acordo com ela, a economia circular pressupõe uma ruptura com o processo tradicional e linear de produção, onde a gente extrai, transforma, usa e descarta. "No modelo proposto se prevê a circulação da matéria prima pelo maior tempo possível num mesmo ou em diferentes processos produtivos, com vista a inimizar o impacto sobre o meio ambiente", observa.

Marília contextualizou a discussão em torno deste tema no cenário mundial informando que o ponto de ruptura foi o Plano de Ação de Economia Circular da União Europeia, lançado em 2015. "Este plano de ação estabeleceu metas e horizontes temporais bastante claros. Para 2035, propõe que 65% dos resíduos municipais e que 70% dos resíduos de embalagens sejam reciclados, por exemplo. "Isso vai mudar completamente a maneira com que nos relacionamentos com a União Europeia em termos de comércio internacional", alertou.

 "O mundo está se movimentando. São criadas regras que podem parecer simples, mas que mudam profundamente a maneira como nossas empresas terão que operar. Ela citou o exemplo dos eletrodomésticos, até então fabricados numa lógica de obsolescência programada, ou seja, eram construídos para durar pouco e serem trocados rapidamente. "Agora é uma outra forma de pensar. Temos que nos adequar, do contrário somos excluídos do processo e ficamos descolados daquilo que o mundo quer", alertou.

No Brasil, segundo Marília, há algumas iniciativas, mas todas dispersas.  Ela informou que está em processo de elaboração uma ISO orientada à economia circular.  Na medida em que esta norma passe a vigorar, mudam as condições de controle", disse.

A indústria na economia circular - O especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Wanderley Coelho Baptista explicou ao público que hoje as questões ambientais estão entre as principais preocupações globalmente. Segundo ele, o modelo econômico linear de produção-consumo-descarte está atingindo seu limite. "Precisamos olhar para os negócios de maneira sustentável e encontrar soluções para uma utilização mais eficiente dos nossos recursos, com estratégias de atuação que vão desde a extração da matéria prima até a chegada ao consumidor final", explica.

Ele apresentou algumas ações relacionadas à economia circular que a CNI vem realizando desde 2014, o que incluem estudos sobre a economia circular, a indústria 4.0 e um documento de intenções dirigido aos presidenciáveis em 2018. Em 2019, a entidade divulgou uma pesquisa que apontou que, ainda que 70% das indústrias não soubesse o que é economia circular, 76,4% delas já colocavam em prática ações relacionadas ao tema, como otimização de processos, insumos circulares e recuperação de recursos.

O estudo apontou que, para desenvolver o tema, é necessário investir em políticas públicas específicas, o que inclui um tratamento tributário diferenciado, ações educativas, parcerias entre os poderes público e privado e o financiamento para acesso a recursos. "Nosso objetivo é que a indústria brasileira tenha em sua identidade a característica de ser sustentável. Se os diferentes atores desse processo atuarem de maneira cooperada podemos nos tornar uma referência nesse sentido", ressaltou.

Para exemplificar como a cooperação já contribui para ações concretas de logística reversa, o gerente de sustentabilidade da ABINEE (Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica), Henrique Mendes, falou sobre o processo de publicação do Acordo Setorial de Eletroeletrônicos, assinado em 31 de outubro. O acordo prevê duas fases até que se atinja a meta de 17% de coleta de equipamentos e componentes no Brasil. Outra meta é instalar cinco mil pontos de coleta de eletroeletrônicos em 400 municípios do país, visando atingir o consumidor final.

Para que as metas sejam atingidas, as indústrias do segmento criaram a entidade gestora Green Eletron, que visa envolver e conscientizar fabricantes, importadores e distribuidores em torno da questão. A entidade promove ações de conscientização, a instalação de equipamentos coletores, a promoção de parcerias com lojas de varejo e a capacitação de profissionais para a reutilização dos materiais. "Queremos reaproveitar ao máximo os recursos que foram utilizados e garantir que tudo virará matéria-prima. Para isso, procuramos oferecer incentivos às indústrias que participam desse processo", afirma.

 

 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Assembleia Popular Estadual da Água


O Coletivo de Luta pela Água convida todas e todos a participarem da Assembleia Popular Estadual
da Água que se realizará no sábado dia 30 de setembro das 10 às 17h no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo Osasco e Região: Rua São Bento, 413,Salão Azul do Edifício Martinelli, Centro, São Paulo.
Há vários problemas relacionados com a Sabesp e as companhias municipais de água e saneamento,
o aumento da tarifa de água e esgoto, a privatização destes serviços e a ameaça de destruição das
nascentes de rios.
O objetivo deste encontro é reunir diversas entidades, sindicatos, movimentos sociais, movimentos
ambientais, grupos e comunidades para mapear as reivindicações e os conflitos existentes em relação a água, nos seus mais variados aspectos.
O mapeamento nos apoiará na organização das lutas concretas em defesa da água em cada localidade
e na criação das condições para unificação dessas lutas em São Paulo, para superar os problemas
que afetam a muitas comunidades.
Ao final da Assembleia pretendemos lançar o Comitê em São Paulo de preparação do Fórum Alternativo Mundial da Água FAMA 2018 que se realizará em Brasília nos dias 17, 18 e 19 de Marco de 2018.
Contamos com sua participação e o seu apoio na mobilização e divulgação deste encontro entre pessoas do campo e da cidade.
Esperamos você por lá.
Água é um direito humano, não mercadoria